08 janeiro, 2017

Elogiar a inteligência pode ser prejudicial ao desempenho

08 janeiro, 2017
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O tema criatividade é assunto frequente no meio corporativo. Despertar o potencial criativo de funcionários, mantê-los motivados a propor novas ideias e ajudar a empresa a se manter sempre inovadora não são tarefas fáceis. O problema do desenvolvimento da inteligência e do potencial criativo pode estar na infância, quando optamos por elogiar as crianças pela inteligência que demonstram, em vez de valorizarmos o esforço que elas empreendem em suas atividades escolares. 

Pode parecer contraditório que um elogio à inteligência de uma criança possa fazer mal para o seu desenvolvimento, mas a ideia tem fundamento. A professora de psicologia da Universidade de Stanford e autora do livro "Mindset", Carol Dweck, fez um estudo em que percebeu a presença de dois grupos distintos de crianças. 

O primeiro grupo acredita que as pessoas possuem um determinado grau de inteligência, ou seja, que não dá para desenvolver o que possuem. O segundo grupo, por outro lado, acredita no desenvolvimento do potencial de inteligência. Os integrantes do primeiro grupo não acreditam que seja necessário empreender esforço para nada, eles querem ser reconhecidos pelo que são. Para eles, precisar se esforçar para fazer algo é sinal de falta de habilidade, ou seja, uma demonstração de fraqueza. Os membros do outro grupo, em contrapartida, acreditam que o esforço é extremamente necessário para que as habilidades em geral sejam desenvolvidas. 

A partir desta divisão, foi feita uma experiência que revelou o impacto deste tipo de distinção de pensamento. Os dois grupos receberam uma tarefa simples, sendo que ambos tiveram bom desempenho. Ao devolverem a atividade aos mentores, os primeiros foram elogiados pela inteligência, enquanto os outros receberam elogios pelo esforço que empreenderam na tarefa. 

Em seguida, os mentores perguntaram a eles se queriam que a segunda atividade fosse igualmente fácil ou se preferiam uma tarefa mais difícil. Os membros do primeiro grupo optaram pela zona de conforto, enquanto os outros se empolgaram com a ideia de uma atividade mais difícil. Por fim, os dois grupos receberam a tarefa com o maior nível de dificuldade. Os integrantes do primeiro grupo se saíram mal, perderam a confiança, se sentiram desestimulados e pioraram o desempenho até mesmo em outras tarefas simples. Por outro lado, os integrantes do segundo grupo se saíram bem, gostaram de ter enfrentado um desafio maior e tiveram desempenho ainda mais brilhante em tarefas mais simples. 

O ponto aqui é crucial: crianças que são enaltecidas pela inteligência que possuem não querem perder a posição de prestígio e têm medo de errar. Por outro lado, as que são reconhecidas pelo esforço acreditam que o erro é uma parte natural do processo de aprendizagem. 

Essa formação na infância e adolescência é fundamental para a postura que o indivíduo tem como adulto, já no mercado de trabalho. Se quisermos funcionários engajados e com vontade de desenvolver suas capacidades, precisamos valorizar mais o esforço que eles fazem no cotidiano. Aplaudir somente as conquistas já alcançadas só fará com que eles se sintam com medo de perder aquela posição, ou seja, serve de incentivo para que permaneçam estagnados.

Por: Flávio Almeida
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