11 dezembro, 2016

Reveja a história de um bravo homem da roça, Raimundo Chiquinho

11 dezembro, 2016
Raimundo Marques da Costa, popularmente conhecido como Raimundo Chiquinho, nasceu em 21 de abril de 1932 no povoado João Paulo, município de Vargem Grande - MA. É filho de Francisco Marques da Costa e Jacinta Marques da Silva, ambos piauienses. 
Aos 5 anos de idade Raimundo Chiquinho mudou-se com os pais para o povoado São Benedito do Milton Rios, município de Coroatá, onde ficou até os 10 anos. Novamente mudou-se com a família, desta vez para a localidade Santa Maria, hoje conhecida como Santa Maria do Calú Batista, município de Timbiras. Em Santa Maria, mesmo na idade infantil, continuou trabalhando diariamente nos serviços da roça da família. No dia 29 de junho de 1955, ao completar 23 anos de idade, casou-se com Maura Oliveira Coelho da Costa (dona Zita), nascida em 2 de setembro de 1940 no povoado Armazém, município de Chapadinha - MA. Dona Zita é filha de Manoel Marques da Costa e Cecília Coelho de Oliveira, naturais do Piauí.

Depois de casado o chefe de família comprou 168 hectares de terra entre o povoado Santa Maria e o povoado Detrás dos Morros, onde teve cinco filhos: Domingos (Xexéu), Maria (Mocinha), Francisco (Nute), Marilda (Tatá) e Rafael (Fael). Após o nascimento dos cinco filhos vendeu a propriedade para comprar 100 hectares na comunidade Boa Hora, onde segundo ele, a terra era melhor para trabalhar e sustentar a família. Na nova moradia nasceram mais três filhos, João Diel, Raimundo (Bodega) e José. 

O senhor Raimundo Chiquinho, além de lavrador, trabalhou 25 anos como Tropeiro. Sua tropa de animais de carga fazia o transporte de mercadorias para os comerciantes da região de Coroatá e de Timbiras, onde realizava trocas por outras mercadorias (escambo) que eram vendidas na zona rural. A tropa era composta de cinco jumentos e uma burra, e a estratégia era juntar-se a outros tropeiros para que se ajudassem nas longas viagens que duravam até seis dias no período de inverno. Quando estava ausente quem cuidava de tudo era a companheira, dona Zita, que organizava o trabalho na roça e cuidava dos afazeres domésticos.

“Eu tinha cinco jumentos para carregar as cargas, e uma burra para eu andar montado porque a viagem era muito longa, às vezes a gente chegava a um riacho após uma chuva grande de inverno, e ele estava muito cheio, não dava passagem, aí era obrigado esperar três, quatro horas até ele baixar para que a gente pudesse atravessar. Quando anoitecia a gente parava (...) e logo cedo da manhã tinha que seguir em frente com a viagem. Era um serviço muito duro, mas era o que eu tinha para sustentar a família e não podia desistir”, relata Raimundo Chiquinho.

Dona Zita relembra o período: “Naquela época tudo era muito diferente, o arroz era pisado no pilão, o café tinha que ser torrado, a água era distante, e transportada em cabaça. Tinha que levar o almoço para os trabalhadores na roça, e como o Raimundo estava viajando, eu contava apenas com a ajuda dos filhos maiores que me ajudavam muito. Era uma batalha dura, mas tudo dava certo”. Dona Zita fala com muito bom grado daqueles tempos.

Após viverem no interior , chega o momento de mudarem para a cidade e oportunizar os estudos dos filhos. Nesse período dona Zita teve que vir para cuidar das crianças que estavam na escola, enquanto isso o patriarca teve que continuar cuidando dos negócios agrícolas no povoado Boa Hora. No ano de 2005 chegou a hora de se dispor da terra que tanto representava para o homem simples, mas que já se sentia cansado da lida diária dos serviços do campo. A terra foi vendida e Raimundo Chiquinho veio juntar-se à esposa e aos filhos para descansar.

“Eu já estava cansado, passei a minha vida trabalhando no pesado como tropeiro e lavrador para sustentar a família, já era hora de sossegar devido à idade. Agora estamos aqui em Timbiras cercado dos filhos, netos e amigos, graças a Deus tá bom demais”, afirma Raimundo Chiquinho.

“Seu” Raimundo Chiquinho e dona Zita habitam na rua Barreto Vinhas, centro de Timbiras, e diariamente estão cercados de atenção, cuidados e carinho de filhos, netos e demais parentes. 2015 será um ano de comemorações especiais para Raimundo Chiquinho e para dona Zita. Dia 21 de abril será o seu aniversário de 83 anos. Dia 29 de junho, comemoração de 60 anos de casamento de Raimundo Chiquinho e dona Zita, data em que comemorarão Bodas de Diamante . Dia 2 de setembro será o aniversário de 75 anos de dona Zita.

A esta família tão bem representada por estes dois seres humanos maravilhosos, que através desta exemplar história de vida nos passaram uma verdadeira lição de como vencer através do trabalho, da força de vontade, e da perseverança, desejamos saúde, paz e muitos anos de vida.





Por: Romenigue Couto e Hildenilson Sousa 

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